domingo, 4 de janeiro de 2015

Sobre ser mãe

Não sei as outras mães, mas sempre quando converso com minhas filhas sobre a vida, as pessoas, os relacionamentos, tento passar para elas a minha experiência do que não é bom para ninguém. 

As duas, como não poderia deixar de ser, são tão diferentes como são diferentes as reações que têm com o que falo e "ensino". Uma delas rejeita quase tudo, de antemão. Só depois de algum tempo vem me dizer: "você estava certa, Rosaninha", ou me mostra outro jeito de lidar. É como se ela demorasse um tempo infinitamente maior para processar qualquer "conselho". Meio: "ah, eu sou adulta e sei de mim."

A outra escuta mais atenta e assimila mais livremente a concordância ou não concordância com meu jeito de pensar ou aconselhar. E diz sobre.

A primeira alimenta minha vontade eterna de estar por perto, acolher, ensinar, bater o pé, falar mais firme, demonstrar que por aquele caminho não vai dar certo, torcer muito para que eu esteja errada quando não acata minhas sugestões, conselhos. 

A segunda alimenta meu equilíbrio, minha atenção, minha vontade de não ser tanto como eu sou e ter mais dela em mim. A segunda me pede mais conselhos, o que não quer dizer que siga um ou todos. Mas sempre pede. A segunda alimenta meu lado "mãe sabe mais que filha", mesmo não sabendo. 

Apesar de tão diferentes, conversar com as duas é muito enriquecedor, sobretudo, quando ouço delas que eu estava certa em alguma coisa. Duvido se pais e mães não desejam ouvir isso de seus filhos. Eu assumo.

As duas apontam pouquíssimas falhas na educação e conselhos que dou a elas, mas sei: porque são generosas. Não importa que eu ouça no mesmo dia do conselho dado ou um ano depois: Rosaninha, você estava certa e te agradeço; quando ouço e sei disso, é quando sei, também, que valeu a pena lutar por elas e continuar lutando, valeu a pena demonstrar a elas o que, para mim, é correto, ético e leal em relação às pessoas e coisas. 

Consegui contribuir para que as minhas meninas fossem gratas e generosas com quem merece gratidão e generosidade. Que fossem corretas. Que não esquecessem o passado e quem foi leal com elas. Que sempre se colocassem no lugar dos outros. Sempre.

Hoje eu as vejo tão adultas e tão gente do bem que concluo: fiz um bom trabalho. Deu certo. 

Mas é quando ouço: "mãe, você não pode fazer isso"; "Rosaninha, tá tudo errado, não é assim que você deve pensar de fulano"; "Rosaninha, você é muito ridícula"; que tenho certeza que elas sabem, também, que deu certo. Deu certo elas serem minhas filhas. E nós três gostamos disso.     

3 comentários:

deusadovinho23 disse...

Imagino quem seja a primeira e a segunda que segue seus conselhos, agora tenho certeza que as duas são pessoas do bem , são MINHAS sobrinhas que amo demais e sempre sou grata as duas por tamanha generosidade.
É lindo ver o carisma das duas com o vovô Baltazar.

Helô disse...

Que lindo de se ler.

Laura Reis disse...

eu te ama