quinta-feira, 1 de julho de 2010

"L"erdeza pouca é bobagem

Poderia dar outro título ao post como: as duas antas. Mas reza a lenda que devo seguir um tal abecedário só pra reafirmar que sou mesmo uma antinha.
Estava eu, no dia 17 de junho dentro de um ônibus indo pra Brasília visitar minha grandona Marina.
A babaquice começou quando fui comprar passagens.

Tenho o hábito de viajar sempre na poltrona 23 porque reza a lenda [2] que nesse lugar é ideal pra quem gosta de ficar na boa com um espaço só seu. O número 24 poucos adquirem (essa é a lenda... preciso explicar o porquê não, né?). Quando comprei as passagens o 24 era de alguém. Você viu? Eu não! Minha irmã que tava comigo viu? Viu! Por que ela não me contou? Só Deus pra saber... hehehe
E lá vou eu então, agora já no ônibus, com uma senhorinha do meu lado. Gente boa, bem gentil, que conversava baixinho e tinha o ouvido 355 mil vezes melhor que o meu. Ou seja, ela entendia tudo que eu dizia e eu só entendia cerca de 40% do que ela me narrava. Juro! E como ela conversava baixo eu, educadamente, falava baixinho também. Outros passageiros não teriam como, portanto, reconhecer minha lindíssima voz... hauahsuahs
Papo vai, papo vem; leio uma revista, um livro, tiro um chochilinho... e vamos em frente. Paramos em Paracatu, desci pra esticar as perninhas e... lá vamos nós, de novo, rumo à terra dos homens.
Assim que o ônibus chegou perto de Luziania, que fica uma hora de Brasília, mais ou menos, meu celular toca: Marina.

Por conta das interferências precisei falar mais alto: "Marina, estamos em Luziania ainda." No que falei mais alto, a mulher que vinha na poltrana 19, na minha frente, olha pra trás. Eu pensei: "coitada, deve se chamar Marina e acha que só ela tem esse nome." Assim que desliguei o telefone, tá a mulher olhando pra mim de novo e solta essa: "Rosana, tá me conhecendo não?" Eu: não. Ela tira os óculos e fala: sou eu, a Cidinha.
"Hãnnnnn, como assim, cê pegou o ônibus em Patos?", eu perguntei. Ela: "sim, lá no ponto do Antares". Não, vejam vocês, eu peguei o ônibus na Rodoviária. Ou seja, eu vi a pessoa entrar no trem... oppsss, no ônibus.
E ela brava: "vem pra cá, tô sozinha". Eu vou lá pra frente, nos abraçamos e juntas, como que combinadas: "owww anta, como cê não me viu?" O que rimos, não tá escrito.

Cidinha é minha amiga desde muito tempo. Foi minha colega de trabalho no meu primeiro emprego e, também, minha colega de pedagogia, num tempo em que éramos solteiríssimas da silva: em mil oitocentos e lá vai qualquer coisa. Mantivemos a amizade depois que nos casamos. Ela pôde ir ao meu casamento, mas eu não fui no dela, porque Marina inventou de nascer no mesmo dia. Eu me mudei pro Espírito Santo, voltei, ela se mudou pra Brasília. Só sei que nos afastamos "fisicamente" e que havia uns bons anos que não nos encontrávamos: de 15 a 20, acho.
Foi uma "festa" nesse ônibus, não tinha pra mais ninguém. O que a gente conversava e ria, meio que deixou o povo doido. A senhorinha, na saída do ônibus me disse: encontrou sua amiga e me deixou sozinha, né?
A nossa sorte (?) é que houve um acidente perto de Brasília e ficamos paradas uma hora. Ela ligou pro marido e contou: adivinha quem tava o tempo todo aqui atrás de mim? A anta da Rosana. Eu liguei pra Marina e falei: adivinha...? A anta da Cidinha.
As duas, Marina e Cidinha, de vez em quando se encontram por lá na terra dos homens.
Assim que chegamos na Rodoviária, estavam lá: meu irmão, o marido dela, que eu também não via há anos, e o primeiro filho deles, que conheci pititinho.

No outro dia (noite) fui à casa de meus amigos com Marina e colocamos nosso asunto em dia, ou tentamos colocar. Volta e meia comentávamos: como assim você desceu em Paracatu também e não me viu, sua anta?? Foi uma noite muito, mas muito feliz. É fato.
Como é fato, também, esse lance de que amigos sinceros que se reencontram, seja lá depois de quanto tempo, sempre é como se fosse ontem.
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4 comentários:

Sr.Apêndice disse...

Muito legal a história! Tipo de relato que faz a gente se sentir bem e feliz pelos os outros... :)

Apoena Míope disse...

Também tenho alguns amigos assim e acho isto uma felicidade enorme.

Gostei muito da postagem pela afinidade com minha própria história.

Abraço!

Helô disse...

Que delícia de encontro!!! Tenho algumas queridas amigas antas também. Bom demais encontrar alguém assim, sem esperar. Bj

Rafael Freitas disse...

A beleza da foto conta a beleza do encontro!