terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quatorze de cinquenta e cinco

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Quatorze linhas tinha o e-mail, iniciado com cinquenta e cinco, porque é falante e havia muito o que dizer a ele, inclusive que sentiu seu chamado; uma saudade maior que de todos os dias, como se ele tivesse algo pra lhe dizer. Mas lembrou que os e-mails dele eram curtos demais, no máximo umas cinco linhas. Melhor se esforçar e resumir tudo aquilo.
Nem foi esforço, foi uma árdua luta, meio que brigar consigo mesma. De certa forma ficou feliz, porque de cinquenta e cinco chegar nas quatorze... Fez as contas e, arredondando, deu setenta e cinco por cento de parcimônia. Uma vitória!
E olha que resumiu, nessas quatorze, um ano e meio de ausência, contando a linha em que colocou o número novo do telefone, caso ele quisesse... Mais que uma vitória, um marco!
Vamos ver o que ele tem pra contar e se haverá um porquê dela ter sentido sua presença forte, pensou.
E ficou ansiosa esperando notícias e torcendo muito pra que o e-mail dele tivesse umas quinzes linhas; seria ele ganhando nas linhas e ela vencendo no equilíbrio. Que o e-mail dele fosse mais parecido com ele, quando perto, assim de tocar e olhar nos olhos.
Recebeu resposta pra bem mais de quatorze horas, com uma linha apenas: que sintonia, que saudade, chego pra você amanhã, mas seria surpresa; dizia.
Se pudesse voltar no tempo, não teria mandado nenhum e-mail porque sentiu a presença forte dele o dia todo, como numa intuição. Se pudesse voltar no tempo, ficaria até quatorze anos sem lhe escrever uma linha sequer, só pelo gosto de se saberem, assim, olhos nos olhos...
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2 comentários:

Taffarel Brant . disse...

Que poético, Rô.
Também passo por isso de ter de resumir e-mails porque tenho muito o que dizer nos meus.

O esforço valeu a pena!
E que lance interessante esse de 'sentir a presença', né?
Beijo.

Helô disse...

Gente!!! Sem palavras! Bj