sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Tânia, a pseudo-esperta

Tânia era empregada doméstica na casa de minha amiga. Eu me recordo bem dela e da filha que ficou amiga das filhas de Elisa. Essa minha amiga sempre tratou de forma generosa as secretárias que tinha. Generosa e correta.
Por algum motivo, que não sei bem qual, Tânia precisou sair da casa de Elisa. Contas feitas e minha amiga foi até à casa de Tânia levar a grana referente ao acerto. Nessa época não era muito comum assinar carteira de trabalho para o empregado doméstico. Mas Elisa costumava pagar 13º, férias, tudo muito direitinho e sabia fazer essas contas, uma vez que trabalhava com isso.
No outro dia qual não foi a surpresa: Tânia liga pra Elisa dizendo que o valor recebido não estava correto. Informou uma quantia "que foi calculada por um contador que sabe tudo e me disse que se você não me pagar posso te levar na justiça." Palavras de Tânia para Elisa.
Passado o susto, Elisa conversou com o marido e acharam por bem pagar o valor "pedido"; ligou pra Tânia e perguntou se ela já havia descontado o cheque que lhe dera. Caso não, iria pegá-lo e levaria o acerto total em moeda corrente.
Assim foi feito. O Brasil atravessava uma daquelas épocas em que a moeda era trocada feito fralda de neném.
Elisa preparou um recibo - que não havia feito no primeiro acerto - colocou a grana junto a um clip e foi pra casa da Tânia-esperta-sabe-tudo. Recibo assinado pelas duas. Elisa ainda perguntou o motivo daquilo tudo, pois o relacionamento entre as duas parecia amigável. Fez referência, inclusive à amizade das filhas. Tânia só respondeu: "o direito é meu e quero o meu dinheiro", assim, bem ríspida.
Muitos anos se passaram e um dia qualquer a filha de Tânia foi à casa de Elisa (ainda é amiga das filhas de minha amiga) e contou que, em meio à arrumação de uma nova mudança, acharam no bolso de um paletó velho o recibo e toda a grana - em cruzeiro novo ou numa das moedas hoje não mais existente - que Elisa havia levado pra esperta da Tânia que, àquela época, acreditara ter sido roubada por um malandro vagabundo que morava naquele bairro horrível onde moravam.
E o roubo, dizia Tânia espumando a boca de raiva, "foi praga de Elisa..."
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2 comentários:

Jéssica Amorim disse...

Nossa, bem feito! Odiei ela rs, mas adooooro esses posts alfabeticos rs

Rafael Freitas disse...

U-au
A Tânia se deu mal!