domingo, 29 de março de 2009

Joana, a sem noção

Joana é um ano mais velha que eu: de nascimento e de verdade.
Só que, quando de minha pré-adolescência, descobri que ela havia ficado com a mesma idade minha; e nos meus dezoito anos, um ano mais nova. Atualmente, então, só pra situar, já que tenho 53 anos, e como há muito tempo não pergunto a ela sua idade, creio que ela está, ainda, com 51 anos... rs (num tô pegando no pé dela, é que a danada aniversaria no meio do ano).
Foi nesse “mudar de idade” que saquei a falta de noção de Joana. Pra tudo.
Ela era e é uma figura. Minha amiga de infância e hoje uma de minhas muitas comadres.
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Quando íamos sair, o pai dela cismava que eu era uma menina de juízo e, normalmente, só permitia que ela saísse se eu estivesse com a turma. Só que eu, a Rosana real aqui, saia pouco. Com ela, uma Rosana fictícia, saía várias vezes na semana.
Eu me recordo que uma vez precisei dar uns tapões nas costas de Joana, no meio da rua, porque ela não queria ir embora pra casa. E, naquele dia, o pai dela havia dito que ia nos esperar na esquina.
Ela morava numa rua que ficava, à esquerda, do final de minha rua. E era nesta esquina que ele ia dar plantão. Foi uma luta pra “filha do pai” ir embora pra casa comigo (ow estresse, nó!!).
Quando eu conseguia essa proeza, de voltarmos pra casa na hora combinada, ela ficava sem ser “vigiada” por um bom tempo. Bobinha ela, né? Bem que podia aproveitar minha fama de moça-boa-responsável-pudica-séria-e-direita que não fazia nada de errado na rua.
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A falta de noção de Joana era tamanha que qualquer moço que chegava perto da gente ela entendia ser paquerada por ele. “Viu, só gente, ele flertando comigo?” ela dizia... (é, sou do tempo que o flerte era o ó do borogodó).
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E na hora de sair? Deus nos acuda!! Muito do que podíamos aproveitar na rua era tempo perdido, porque Joana jamais encontrava a roupa adequada. E uma constante era ela ir no cesto de roupa suja e pegar aquela blusa ou saia que lhe caísse bem para sua pretensão da noite, (minha irmã foi quem me fez lembrar disso, nesta quinta-feira agora, ri muito), e usar, de boa.
É, ela pegava a tal roupa suja, jogava uma boa porção de perfume nela e que Deus tomasse conta: dela e da gente...
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E os foras que ela dava? Só fazíamos rir dela e com ela. Não tinha como não achar graça e depois, ficar o resto da noite zoando com a coitada sobre as coisas lesadas que ela dizia ou fazia. E olha que, nesse nosso tempo de jovens, nem havia esse massacre às “loiras”. Joana é loira.
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Eu sempre ficava me perguntando se esse jeito de Joana ser era uma defesa aos possíveis sofrimentos que vivenciava ou apenas uma característica de sua personalidade. Nunca encontrei uma resposta para essa minha pergunta...
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Há alguns meses eu postei no Guaraná com Canudinho, numa quinta-feira em que o tema da semana era “sexo”, mais uma das mil mancadas que Joana deu e dá na sua vida de mulher um tanto quanto lesada. (se alguém se interessar, só clicar aqui).
Joana é sem noção, mas muito gente do bem...
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5 comentários:

Moça do Fio disse...

E eu sou de novo a primeira a comentar!!! Risos.

Caramba! Você tem cada amigo... Eles existem, de fato? Ou apenas povoam esta cabecinha fértil?

Joana sem noção? Eu sou um tico [ou muito] assim também. Vivo dando vexame... é que sou lesada. Mas diferente dela, eu acho que ninguém está interessado em mim.

Beijos.

Rafael Freitas disse...

Como assim era sempre a paquerada da turma?

Hey, Joana! Me dá um pouco dessa autoestima, fia!

Rosana Tibúrcio disse...

Moça do Fio, pior e, em muitos casos, melhor que sim... Esses amigos existiram e existem. Inda não contei caso de nenhum que morréuu de verdade.
O Golias até "mórreu" de morte matada em mim, mas deve tá vivim vivim infernizando a vida de muitos... hehe

Filhote, na verdade ela se achava... algumas vezes até era, mas menos... menos...

Réa disse...

Então,com essa amiga chata não há santo que aguente....

Tudo bem com você e as meninas?
Espero que sim.
Beijos

¢Luana disse...

Essa Joana me lembra tanto alguéém...