terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quarenta e sete e o novo diploma

Quarenta e sete anos, exatamente em 2002, eu conclui minha graduação em Direito.
Direito é um curso que a maioria da população - instruída ou não - teima em chamar de "Advocacia".
"Ah, você se formou em Advogada?" Minha resposta era não. "Não, eu me formei em Direito e não pretendo ser advogada", dizia pra todos. "Como assim, pra quê cê fez advocacia então?" Insistiam os chatos de plantão.
Ai, meu Jesus Cristinho, como eu precisei ser paciente e preciso ser, até hoje, para explicar que meu objetivo era estudar pra concurso e ser funcionária pública em qualquer órgão federal ou estadual. 
Mas né? Facilidade pra compreender o que deveria ser substituído por informações já [pré] conceituadas nunca foi muito fácil pra ninguém.
E assim eu segui minha vida de estudante para concurso, de forma mais intensificada, a partir da conclusão de meu curso e com quarenta e sete anos.
Eu não sentia o peso de idade e, confesso, achei ser mais fácil passar em qualquer um que fizesse... Eu não dizia pra ninguém, mas na minha cabeça (de bagre) pensava que lá pelo quinto "certame" eu passaria. Você passou? Porque eu não...
Apesar de ter feito um curso bem feito, na medida do possível, porque era cada professor ruim (mas isso é papo pra outro post...) e ter estudado, a partir de 2002 feito camela: todos os dias, de 14 às 19 horas, mais ou menos. Não consegui me classificar em nenhum deles.
Com quarenta e sete anos a ex-sabichona aqui não sabia, na verdade, que havia inúmeros estudantes vivendo por conta dessa aprovação, que tinham uma realidade de vida bem diferente da minha, que faziam cursos preparatórios, que... que...
A essas questões eu atribuo a minha não aprovação... e hoje, de vez em quando eu me pego olhando um edital, mas já fico cansada só de me imaginar esgotando cada um daqueles tópicos.
Se com quarenta e sete foi difícil, com cinquenta e cinco vou mais é continuar nessa vida de orientadora autônoma, cozinheira, lavadeira de roupa. Ou seja, uma vida de intensa senzala: intelectual e doméstica e sem fim...
Enquanto isso, o diploma de faculdade conseguido aos quarenta e sete anos se junta àquele outro que tirei aos vinte e três.
Hoje eu sou, pedagoga e operadora do direito sim, só que às avessas...
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Um comentário:

Elis (ou não!) disse...

Eu estou terminando o curso de direito.

Lembro quando eu estava fazendo vestibular as pessoas sempre acham que você será advogado, e mais, criminalista:

-Ahhhhh, mas você defenderia assassinos, estupradores? Não é possíííível!

Hoje estou trilhando o caminho pra ser advogada, já passei na oab e tudo só falta formar. Quando eu falo que pretendo trabalhar com licitações e depois fazer concurso para advogada da União as pessoas broxam na hora, porque a pergunta sobre defender bandidos já estava na pontinha da língua.