terça-feira, 29 de maio de 2012

Dona de casa desesperada


Não há como fugir: depois dos cinquenta anos até você se acha "ruim da cabeça", diminui os créditos à fatalidade e se castiga por qualquer deslize. Não tem jeito.

Vamos aos fatos.

Estava euzinha aqui, de boa, fazendo o almoço do dia sem nem pensar que "aimeuDeustáfácilnão". Não estava cantando, mas também, não estava chorando. Normal.

Aventalzinho amarado, paninho de mão no ombro e tudo estava indo muito bem. Estava. Lavei as mãos pela quinta vez ou pela quinta vez, vezes qualquer número (oi TOC), fui pegar a toalha pra enxugar as danadas e... cadê, toalha, cadê? Olhei pro meu ombro de novo (dessa vez 'olhei com as mãos'), pro lugar de origem, pro balcão, pra mesa, pro fogão, pros banquinhos e nada. Esses eram os lugares mais prováveis para eu achar o maldito pano - necessariamente nessa ordem.

Respirei fundo, me lembrei da Bree, a personagem mais fria e meticulosa de Desperate Housewives - a série que tá bombando minha vidinha de dona de casa desesperada (oi??) e pensei: como Bree faria numa situação tensa como essa?  Certamente ela ficaria parada repassando, mentalmente, todos os lugares por onde andou, assim que começou o almoço e, certamente, ela se lembraria onde havia deixado o maldito pano fdp. Pensei como ela, mas não agi como ela.

Fui desesperada aos cômodos da casa por onde eu havia ido nas últimas duas horas, mesmo tendo começado o almoço uns quinze minutos só. E aí eu revirei almofada da sala de TV, vim aqui no computador olhar as cadeiras e onde fica o telefone, fui no meu quarto. Nada. Pensei: epa, peguei cenoura e beterraba na gaveta da geladeira. Abri a geladeira, abri a gaveta... e foi aí que começou a me dar uma suadeira danada só de me imaginar esquecendo um pano na gaveta de uma geladeira. Mas né? Não fiquei satisfeita e voltei aos cômodos todos.

Até aí tudo bem, mas ao chegar no meu quarto eu abrir o meu armário, minhas gentes. Vocês têm noção do que isso representa para mim??? Como assim, eu colocar um pano de cozinha - usado - no meu armário. Só por que abri o dito cujo para pegar um diadema pra segurar os cabelos?  Mais suadeira de pânico. Mas não foi pânico de achar o pano lá, foi pânico de pensar que eu me vi capaz de fazer uma coisas dessas.

Pensei também, e aí eu dei risada sozinha: se eu fosse daquelas pessoas impressionadas com alma penada, sascoisa eu tava era correndo (meu Deus, me livre de um dia chegar nesse nível de senilidade. Amém). 

Aí voltei pra cozinha e pensei (porque eu penso, sacanaram, né?), mas dessa vez meio que de forma definitiva: uma hora eu acho e haverá uma explicação para esse mistério.

Pronto! Achei o pano na hora. O fdp caiu do balcão e ficou entre os bancos que ficam do lado da copa.
Francamente, nunca me imaginei com tanto receio de ficar demente.

Mas depois dessa... vou esfriar minha cabeça e relaxar um pouco. Não é hora mais de mudar, ficar concentrada ao extremo, fazer tudo tão certinho, porque jamais serei uma dona de casa perfeita, aliás, nem gosto muito desse meu papel - vivo-o por circunstâncias. E mais, quem nasceu Rosana jamais será Bree.

Tô mais pra Susan, a trapalhona da série cuti cuti. Que aliás, recomendo

2 comentários:

Jéssica Amorim disse...

Adoreeeiiii rs... Imaginei toda a cena,
Odeio quando isso acontece comigo, mal fiz 30 e ja "esqueci" o controle da tv dentro da geladeira!

Jéssica Amorim disse...

Eu adoreiiiii!!! Imaginei toda a cena e voce esta bem longe de ser demente!!!

Eu, mal fiz 30 e no meu historico ja tem um controle remoto da tv esquecido dentro da geladeira.