terça-feira, 7 de abril de 2009

Nanci e suas crenças [suas crenças]

Nanci é uma mulher cheia de opinião. Opinião dos outros. Ela crê em quase tudo que lhe contam e bate o pé dizendo ser verdade; até que alguém, com outro argumento mais forte, faz com que ela mude de ideia.
Não, ela não chega a ser uma vira-casada, é apenas uma pessoa que crê; crê naquilo que ela pensa ser a verdade em determinada hora. Até que...

Nanci é uma mulher simples, de pouco estudo e que trabalhou a vida toda na roça e na casa dos outros, fazendo a tal "fedaputagem" da senzala doméstica. Hoje ela trabalha num hospital daqui da Cidade.
Muitas coisas em que Nanci acredita e jura ser verdade são tão sem nexo que me faz "pocar" de rir, quando não me irrita; porque minha reação depende muito da paciência do dia ou do grau de babaquice que ouço. Eu sempre falo com ela quando eu a vejo passar na rua de casa a caminho do hospital.



A última história que ouvi, dessas de abalar minha sanidade - quando de um papo sobre adoção de crianças por casais gays -, foi que ela viu num jornal que no Rio de Janeiro tinham "inventado" uma lei para prender aquele que não aceitasse um beijo de um gay.
"Hãnnn, como assim, Nanci? Me explica isso direitinho,
'ondécêviuesstrem'?" perguntei um tanto chocada.
E ela: "ondiviesstrem? Num jornal. Lá no Rio agora é assim, se um gay te pedir um beijo, e cê negar, vai presa."
.
Ah não, gente. Até provar pra Nanci que rapadura é doce, mas que também é dura, foi uma novela. E lá fui eu - de um jeito mais simples que pude - explicar sobre o direito de cada um e blablablásss...
Neste dia, minha paciência tava até razoável apesar de ter ouvido aquelas intermináveis repetições que Nanci faz das últimas palavras do que eu dizia.
Eu: "parece que hoje essa chuva não vai parar"
Ela: "não vai parar"
Eu: "não consegui marcar meu exame até agora”
Ela: "até agora"
Eu: "nossa, como tem gente doente neste hospital"
Ela: "neste hospital"
Juro, papo recente, lá onde fui marcar um exame, nessa minha saga atual aos hospitais, médicos e afins.

Nanci é gente boa, mulher simples, generosa e esperta.
Podem acreditar, ela é danada de esperta. Mas ela me deixa intrigada com a facilidade que tem em acreditar no improvável. E, mais, de passar essa crença assim pra frente, como se fosse "verdade verdadeira", pra qualquer pessoa: pra mim, pros filhos, colegas do hospital, amigos...
Quando tem alguém pra mostrar outro lado da história, tudo bem, mas quando não, ela até conta de boa que, em Varginha, os ETs desciam mesmo do disco voador e abduziam os habitantes mais afoitos... [mais afoitos...]

3 comentários:

Flávia Jorge disse...

essa repetição di final da frase [final da frase] são piores que as inverdades que ela acredita [acredita]... rs

tem mta gente assim nesse mundo de meu Deus viu...
aqui mesmo onde eu trabalho tem uma peça dessas... rsrs

saudade de ler com tempo esse cantinho...

bom dia...

bjo.

Moça do Fio disse...

Risos [risos]

Preciso conhecer estes teus [teus] amigos.

O post poderia ser entitulado: "Nanci, a crédula" [crédula]

Beijos [beijos].

Rosana Tibúrcio disse...

Flávia do céu, nem queira acreditar o tanto que me irrita a tal repetição, mais que as crenças de Nanci, porque são constantes sem falar no famoso "hãn? hãn! e hãn, com todas a entonações. De matar!!!

Moça do fio, fiquei irritada comigo por não pensar nesse título aí que você sugeriu [sugeriu]
hahaha
beijos a todos [a todos]